TransAtlético MSC Armonia

Nossa Jornada Inesquecível de Maceió ao Rio de Janeiro

De 09 a 14 de março de 2026

Por que “TransAtlético”?

Toda viagem que se preza começa com um bom nome — e o nosso grupo não poderia ser diferente. A história começa com nós dois: Fernando e Valdete, atleticanos de coração, alma e grito. Apaixonados pelo Clube Atlético Mineiro, o glorioso Galo. Quando a viagem de navio pelo litoral brasileiro tomou forma — uma travessia digna de grandes aventureiros —, a palavra transatlântico surgiu como metáfora perfeita para o tamanho da nossa ousadia e da nossa alegria.

O grupo que embarcou conosco era formado por amigos queridos de outras torcidas e de outros amores futebolísticos — Coutinho, Mara, Ribeiro, Dinha, Walberto e Mercês não eram atleticanos, mas tinham algo que vale mais do que qualquer rivalidade: uma amizade verdadeira e o espírito aberto de quem topa uma boa aventura. E foi exatamente esse espírito que os levou a aceitar, com bom humor e generosidade, o nome que propusemos para a viagem: TransAtlético. A fusão entre Transatlântico — a grandiosidade da travessia pelo mar — e Atlético — a nossa identidade alvinegra. Um nome que não seria “Cruzeiro” de jeito nenhum (com todo o respeito ao rival eterno, claro), desculpa aí Mercês.

VAI, GALO!

Dia 1 — Segunda-feira, 09/03/2026  |  João Pessoa → Salvador → Maceió

A Largada: Uber, Aeroporto e Expectativas que Não Cabiam no Peito

Às 09h50, o Uber já estava na porta. As malas prontas foram empilhadas no porta-malas com aquele ritual familiar de quem está prestes a embarcar em uma aventura.

Aeroporto Internacional Presidente Castro Pinto, em João Pessoa, nos recebeu com o burburinho característico de uma segunda-feira de embarques. Despacho de bagagens, filas na segurança, aquele café rápido no saguão — e finalmente o voo das 12h10 que nos levaria, com conexão em Salvador, até o nosso ponto de partida para a grande aventura: Maceió, a Pérola das Alagoas.

Barzetti Cucina Italiana — Um Sabor Italiano no Aeroporto de Salvador

A conexão no Aeroporto Internacional Deputado Luís Eduardo Magalhães, em Salvador, poderia ter sido apenas mais uma espera tediosa entre dois voos. Com olhos atentos e estômagos receptivos, descobrimos o Barzetti Cucina Italiana — uma grata surpresa escondida nos corredores do aeroporto baiano, restaurante, especializado em culinária italiana artesanal.

As pizzas artesanais, com massa fina e levemente crocante, saíam do forno exalando aquele aroma inconfundível de mussarela derretida e tomate san marzano, comemos pizza e brindamos com uma taça de vinho.

Chegada a Maceió — O Mar de Alagoas nos Recebe de Braços Abertos

O avião pousou em Maceió no fim da tarde, e a primeira coisa que nos saudou foi o calor úmido e amoroso do litoral alagoano. Maceió é conhecida como uma das cidades mais belas do Nordeste brasileiro — e com razão mais do que justa. Suas praias são de uma beleza quase irreal: as águas rasas e transparentes de Pajuçara, com aquela tonalidade turquesa que parece filtro de Instagram mas é absolutamente natural; a orla de Ponta Verde, com coqueiros balançando ao ritmo da brisa; os recifes de corais que formam piscinas naturais a poucos metros da praia.

O hotel escolhido para a noite foi o Laguna Praia Hotel, um três estrelas bem localizado, a apenas uma quadra da Praia de Pajuçara, hotel simples e peca na limpeza, mas para uma noite deu certo. Instalamos as malas e saímos em busca dos amigos que já estavam nos aguardando— porque a festa do TransAtlético estava só começando.

Kanoa Beach Bar — O Encontro do Grupo TransAtlético em Ponta Verde

O ponto de encontro da primeira noite foi o famoso Kanoa Beach Bar, instalado na orla da Praia de Ponta Verde — um dos endereços mais queridos de Maceió para quem aprecia beber com os olhos no horizonte. Chegamos lá com o sol ainda se despedindo do dia, pintando o céu de laranja e rosa sobre o oceano, e encontramos a turma praticamente completa: Coutinho e Mara, que tinham chegado mais cedo e já estavam no segundo drinque; Ribeiro e Dinha, sempre animados; Walberto, com aquele sorriso e Mercês, elegante como sempre. Uma deliciosa surpresa, os amigos Diógenes e a Verônica ( para nós Fernanda) que passaram o fim de semana em Maceió conseguiram ficar para nos esperar. tivemos horas descontraídas e animadas em ótima companhia.

As caipirinhas e caipiroscas chegaram geladas, as cadeiras foram puxadas, e logo estávamos todos juntos, rindo, relembrando histórias antigas e fazendo planos para os dias que viriam. A brisa morna de Maceió nos abraçava. O som do mar batia em ritmo de festa, música gostosa rolando. Aquela primeira noite no Kanoa foi o aquecimento perfeito para tudo que viria a seguir. O TransAtlético estava, oficialmente, em operação.

Dia 2 — Terça-feira, 10/03/2026  |  Embarque no MSC Armonia

MSC Armonia — O Navio que Seria Nossa Casa por Cinco Dias

Antes de narrar o embarque, é preciso apresentar a estrela principal desta história: o MSC Armonia. Pertencente à Classe Lírica da MSC Cruises, o navio foi construído em 2001 nos estaleiros da Chantiers de l’Atlantique, na França, e passou por uma vasta reforma em 2014 dentro do chamado Programa Renaissance, que modernizou toda a embarcação e ampliou sua capacidade e seus serviços. Com 251,25 metros de comprimento58.174 toneladas brutas e velocidade de cruzeiro de 20,8 nós, o Armonia é uma cidade flutuante capaz de acolher mais de 2.100 passageiros e contar com uma equipe de aproximadamente 760 tripulantes de dezenas de nacionalidades diferentes.

Mais sobre o navio

A bordo, a vida se organiza em dez andares de puro entretenimento, gastronomia, relaxamento e alegria. Cinco restaurantes satisfazem os mais exigentes paladares: o elegante Restaurante Marco Polo para os jantares gourmet; o farto Brasserie, buffet aberto em todos os horários de refeição; o refinado L’Arabesque; o sofisticado Kaito Sushi para os amantes da culinária japonesa; e o agradável La Paloma para refeições leves. Nove bares temáticos espalhados pelo navio garantem que ninguém fique com sede: o animado Bar Del Duomo, palco de quizzes musicais e noites de rock; o intimista Red Bar; o descontraído Sports Bar; o clássico Bar Ambrosia; o elegante Piano Bar; entre outros.

Teatro La Fenice, nos Decks 5 e 6, com capacidade para 557 pessoas, é o coração cultural do navio — palco de seis espetáculos semanais de altíssimo nível, com duas sessões por noite. O cassino aguarda os que buscam uma dose de adrenalina com roleta, pôquer e caça-níqueis. O Spa MSC Aurea oferece tratamentos de beleza e relaxamento para o corpo e a alma. A área de entretenimento de 330 m² pulsa com música e dança. Piscinas externas no deck superior, uma academia completamente equipada, uma pista de jogging ao ar livre, um teen club e uma área infantil com parcerias com as marcas ChiccoLEGO e Namco completam a estrutura — garantindo que cada passageiro, de qualquer faixa etária, encontre seu espaço de felicidade a bordo.

O Embarque e a Primeira Exploração

O embarque aconteceu antes do meio-dia, no Porto de Maceió. Subir a prancha de acesso ao navio foi um momento solene — daqueles que a gente guarda na memória como uma imagem mental cristalizada. À nossa frente, o MSC Armonia se erguia imponente, branco e reluzente sob o sol de março de Alagoas. Os corredores internos do navio cheiravam a ar-condicionado gelado e recém-lavado. A cabine foi confirmada, as malas deixadas para o camareiro. E então começou a exploração.

Uma pequena passada na cabine para deixar as mochilas e a primeira surpresa da viagem, lindo e delicioso mimo da MSC.

Subimos até o 11.º andar — o deck superior ao ar livre — e o que nos recebeu foi de tirar o fôlego: a piscina principal espelhando o céu azul de Maceió, espreguiçadeiras ocupadas por passageiros de biquíni e sunga, a brisa marítima fazendo os cabelos voarem, e ao longe, a linha dourada da costa alagoana se despedindo de nós. O primeiro drink foi pedido ali mesmo, de pé no convés, com o copo suado na mão e o sol quente no rosto: aquele brinde que marca, de forma definitiva, o início de uma viagem épica. “Vai, Galo!” — e o grupo inteiro respondeu com um grito que certamente ecoou pelos quatro andares, Flamengo, Fortaleza, Vasco, Cruzeiro!! Kkkk

Antes de ir almoçar as meninas resolveram explorar o navio:

Almoço no Brasserie e Tarde na Piscina

O almoço de boas-vindas foi no Brasserie, o generoso buffet do navio. Pratos quentes e frios, saladas criativas, frutos do mar frescos, opções vegetarianas, sobremesas que exigiam pelo menos duas voltas na fila — era difícil parar. Após um almoço mais do que satisfatório, voltamos ao deck superior para a tão esperada tarde na piscina. O calor de março era exatamente o convite perfeito para a água: mergulhos, risadas, conversas sobre a vida com a moleza de quem não tem pressa. Enquanto o navio deixava lentamente  Maceió para trás, nós flutuávamos — literalmente — em direção ao desconhecido e ao maravilhoso.

Show “Destination” — Teatro La Fenice, 19h00

Às 19h00, o grupo se reuniu nas poltronas do magnifico Teatro La Fenice para o primeiro espetáculo do cruzeiro: Destination. O show é uma viagem musical ao redor do mundo — uma sucessão de cenas coreografadas que levam o público, em questão de minutos, do Brasil ao Caribe, da Broadway às ruas de Buenos Aires, do pop europeu ao swing americano. Os figurinos eram deslumbrantes, os cenários imponentes, a iluminação sofisticada e a energia dos artistas, absolutamente contagiante. A plateia visivelmente encantada, o espetáculo de aproximadamente 35 minutos voou.

As talentosas Katherine com sua voz e July com as coreografias precisas e carisma irresistível. Ao sair do teatro, já queríamos mais.

Quiz Musical no Bar Del Duomo

Quem disse que o entretenimento terminava com o show, se enganou. Logo após o Destination, o grupo migrou para o Bar Del Duomo, onde acontecia o tradicional e briguento Quiz de Músicas. As mesas foram tomadas, os drinks pedidos, e o animador Ricardo — com seu microfone sempre na mão e um sorriso de quem sabe criar confusão nas mesas — deu início às perguntas. Eram dezenas de fragmentos musicais de hits internacionais e nacionais: quem reconhecesse primeiro ganhava o ponto. O grupo do TransAtlético foi… digamos… irregular. Alguns hits dos anos 80 eram nossa praia provocaram uma gritaria coletiva de reconhecimento. As gargalhadas, as quedas, as corridas para sentar na cadeira primeiro, os erros estratégicos e as discussões sobre se o trecho tocado era realmente da música que alguém disse que era tornaram a noite inesquecível. E a Val conseguiu chegar na cadeira e participar da brincadeira.

Jantar no Restaurante Marco Polo — 21h30

Restaurante Marco Polo era, sem dúvida, o ambiente mais elegante do navio. Suas mesas dispostas com capricho, a iluminação quente e discreta, os talheres reluzentes — tudo criava uma atmosfera de sofisticação acessível. Às 21h30, com o grupo reunido e os trajes de jantar devidamente apresentáveis, a primeira refeição formal do TransAtletico foi uma cerimônia de prazer. O garçom Suryanto R. Agus — de sorriso largo, memória impressionante para os pedidos e atenção genuína a cada detalhe — tornou-se imediatamente o favorito da mesa. As entradas chegaram com elegância, os pratos principais com perfeição no tempero e na apresentação, e a sobremesa — um mousse de chocolate que merecia aplauso — encerrou o jantar com maestria. Os brindes se multiplicaram: à amizade, ao Galo, ao TransAtlético, à vida.

Festa Tropical e Discoteca Starlight — Até as 02h00

Depois do jantar, o navio se transformou. A Festa Tropical tomou conta dos conveses e salões: trajes coloridos, flores tropicais, drinks com guarda-chuvinhos, reggae e axé misturados ao pop internacional. O espírito carnavalesco que tomou conta do TransAtlético foi irresistível — Coutinho, Mara, Ribeiro, Dinha, Walberto e Mercês, dançavam com uma energia que desafiava qualquer noção de cansaço. E quando a festa tropical deu passagem à Discoteca Starlight — o coração noturno e pulsante do navio —, o grupo não foi para a cama. A pista estava cheia, o DJ mandava bem, as luzes coloridas transformavam o salão em outro mundo. Às 02h00, quando finalmente as pernas capitularam, fomos para a cabine com o coração cheio e o sorriso estampado no rosto.

Dia 3 — Quarta-feira, 11/03/2026  |  Salvador — A Bordo, o Mar e a Noite Branca

Salvador ao Longe — O Navio Ancora em Águas Baianas

Ao amanhecer da quarta-feira, o MSC Armonia estava fundeado próximo a Salvador, a vibrante capital da Bahia — cidade que dispensa apresentações mas sempre merece reverência. Salvador é berço da cultura afro-brasileira, cidade do axé, do candomblé, do acarajé e da alegria que escorrega pelas ladeiras — uma das cidades mais fascinantes e vivas do Brasil.

O grupo que já conhecia Salvador, decidiu por unanimidade aproveitar o dia a bordo. Uma decisão sábia: o navio estava a postos, a piscina chamava, os drinks esperavam. Salvador poderia ser apreciada a distância, como um quadro impressionista visto da janela do museu mais luxuoso do mundo — o nosso MSC Armonia.

Café da Manhã, Sol e Piscina — A Perfeição em Estado Puro

O café da manhã no Brasserie  era, por si só, um evento. Frutas tropicais brasileiras exibindo todas as suas cores — mamão, melancia, abacaxi —, pães artesanais recém-saídos do forno, queijos, frios, ovos mexidos e estrelados, iogurtes, cereais, suco de laranja e café forte que acordava qualquer um. Com o estômago satisfeito e a disposição renovada, migramos para o deck da piscina. O sol da manhã de março estava esplêndido sobre as águas baianas, e a piscina principal — de água salgada, com a temperatura na medida certa — era o paraíso.

Aproveitamos o dia para curtir a piscina e as brincadeiras que aconteceram por ali. Fernando até arriscou para ganhar o espumante mas infelizmente não deu certo, mas tudo bem tomamos o espumante do nosso pacote mesmo. KKK sorvete

A tarde foi um sonho de lentidão bem-aproveitada: mergulhos, espreguiçadeiras, conversas que iam da política ao futebol e voltavam para a gastronomia, e aquela deliciosa sensação de não ter hora marcada para nada. Com Salvador visível ao fundo — a cidade histórica como pano de fundo para nossa preguiça de luxo — flutuávamos na piscina do navio com a consciência limpa de quem está exatamente onde deveria estar.

Show “Ovation” — Teatro La Fenice, 19h00

O segundo grande espetáculo do TransAtlético, Ovation, estava marcado para as  19h00 no  Teatro La Fenice. Se o Destination nos surpreendeu, o Ovation nos deixou completamente boquiabertos. Um espetáculo de dança contemporânea e música ao vivo que explora a emoção humana através do movimento — alegria, melancolia, paixão, saudade — tudo isso expresso em coreografias de uma precisão e beleza raras. Os figurinos elaborados, em tons de dourado, prata e preto, criavam um visual deslumbrante que combinava perfeitamente com a musicalidade do espetáculo. Katherine e July novamente roubaram a cena, Katherine com sua voz e July com a sensualidade na dança que arrancou suspiros involuntários da plateia. Ao final, a ovação foi longa e merecida.

Rock Nacional no Bar Del Duomo

Após a emoção do Ovation, a noite chamava por um tratamento musical diferente — e o Bar Del Duomo entregou exatamente isso. A noite era de Rock Nacional, e o repertório foi uma viagem no tempo pela trilha sonora de uma geração: Legião Urbana com “Tempo Perdido” fazendo todo mundo fechar os olhos; Cazuza e “O Tempo Não Para” arrancando cantaroladas; Paralamas do Sucesso com “Alagados” que, coincidentemente, tinha tudo a ver com o nosso roteiro; SkankNando ReisCapital Inicial — cada música era uma memória afetiva que voltava com toda a força. O barman Alex Lucena servia os drinks com maestria e uma simpatia contagiante, transformando o bar em um dos lugares mais agradáveis do navio.

Festa do Branco e Discoteca Starlight — Até as 02h10

Festa do Branco foi um dos momentos mais elegantes e ao mesmo tempo mais divertidos do cruzeiro. Com todos os passageiros de branco — das sandálias à camisa, do vestido ao chapéu —, os decks e salões do navio se transformaram em um mar de roupas claras que refletiam as luzes coloridas criando um efeito visual impressionante. A sensação era de estar dentro de um videoclipe de luxo. O grupo do TransAtlético estava deslumbrante: Coutinho e MaraRibeiro e Dinha, Walberto e Mercês, estavam radiantes; todos dançamos como se aquela pista fosse deles. Tivemos um espetáculo a beira da piscina com a participação de diversos dançarinos e acrobatas com suas roupas brancas, foi muito bonito.

Discoteca Starlight recebeu toda essa energia branca e transformou tudo em festa pura até as 02h10 — porque quando a vibe está boa, parar cedo seria um crime.

Dia 4 — Quinta-feira, 12/03/2026  |  Ilhéus — A Terra de Jorge Amado nos Recebe

Desembarque em Ilhéus — Pisando na Terra do Cacau e de Gabriela

O quarto dia nos presenteou com um dos portos mais encantadores do roteiro: Ilhéus, na costa sul da Bahia. Cidade portuária fundada em 1534 — uma das mais antigas do Brasil —, Ilhéus é conhecida como a capital literária do país graças ao seu filho mais ilustre: o escritor Jorge Amado, que a imortalizou em romances como Gabriela Cravo e CanelaTerras do Sem Fim e São Jorge dos Ilhéus. A cidade viveu seu auge econômico durante o ciclo do cacau no início do século XX, quando os chamados “coronéis do cacau” construíram fortunas e mansões que ainda hoje marcam a paisagem urbana. Com praias paradisíacas, um centro histórico rico e uma gastronomia de dar água na boca, Ilhéus era, para todos nós, território virgem e cheio de promessas. Dali o grupo seguiu a pé para o centro histórico em ritmo de descoberta.

Catedral de São Sebastião — Fé, Arte e 36 Anos de Devoção em 48 Metros de Grandiosidade

A primeira parada — e impossível que fosse qualquer outra — foi a monumental Catedral de São Sebastião, o cartão-postal mais imponente de Ilhéus. Sua história começa em maio de 1931, quando a pedra fundamental foi lançada em meio a uma cidade efervescente de dinheiro e fé. Mas construir uma catedral daquela magnitude não era tarefa simples: foram necessários exatos 36 anos de trabalho ininterrupto para que o sonho se tornasse realidade, com a inauguração oficial ocorrendo somente em setembro de 1967. Um monumento que literalmente atravessou gerações, cada pedra assentada com devoção.

O projeto arquitetônico, de autoria do arquiteto Salomão da Silveira, é uma obra-prima do estilo neoclássico adaptado ao Brasil tropical. A fachada simétrica, com suas duas torres gêmeas que se erguem soberanas acima de tudo ao redor, domina a paisagem do centro histórico de um jeito que parece ao mesmo tempo humilde e grandioso. Por dentro, a nave principal impressiona pela altura vertiginosa de 48 metros, pelos vitrais coloridos que filtram a luz do sol baiano em raios multicoloridos sobre o piso de pedra, e pelos altares em madeira entalhada à mão, verdadeiras obras de arte sacra que remontam ao período colonial. O grupo ficou em contemplação por longos minutos — e registrei uma foto 360° do interior da nave, capturando toda a grandiosidade daquele espaço sagrado em um único clique.

Bar Vesúvio — O Bar Imortalizado por Jorge Amado e pela História do Brasil

Caminhar até o Bar Vesúvio é fazer uma viagem no tempo. Fundado em 1919, o bar instalado na Praça Dom Eduardo — bem no coração do centro histórico de Ilhéus — é muito mais do que um simples boteco: é um monumento vivo da cultura brasileira, um lugar onde a literatura e a história se sentam à mesma mesa para tomar uma cerveja. Foi neste exato endereço que o escritor Jorge Amado situou o cenário do Bar de Nacib, o estabelecimento central do romance Gabriela Cravo e Canela, publicado em 1958 e aclamado como uma das obras mais importantes da literatura brasileira do século XX.

O árabe sírio Nacib Al-Ufarge, dono do bar, e sua amada Gabriela — morena como o cacau, perfumada como o cravo, doce como a canela — tornaram-se personagens imortais nas páginas do livro e na memória afetiva de quem os leu. As mesas ao ar livre sob a sombra das árvores da praça, o ventilador de teto que gira devagar dentro do bar, a vista para a praça ensolarada — tudo remete a uma época em que o cacau era ouro e Ilhéus vivia seu período mais glorioso. O cardápio preserva a tradição baiana com maestria: acarajés fritos na hora no dendê, bolinhos de bacalhau crocantes por fora e macios por dentro, camarões temperados com ervas frescas, e aquela cerveja gelada servida em copo alto que parece ter um sabor diferente — melhor — quando tomada naquele lugar histórico. O grupo se sentou, pediu as especialidades da casa, brindou à imortalidade literária de Jorge Amado e ficou ali por mais tempo do que o planejado.

Passamos também pela casa de Jorge Amado. Que hoje é a Casa de Cultura Jorge Amado. 

Bataclan — O Cabaré dos Coronéis, dos Mistérios e das Lendas Eternas

O edifício, construído no rico e exuberante estilo Art Déco, com suas linhas geométricas, detalhes em ferro forjado e azulejos ornamentados, é uma obra arquitetônica que por si só justifica a visita. Mas o que realmente alimenta a imaginação são as lendas: os famosos túneis secretos subterrâneos que, segundo a tradição da cidade, conectariam o Bataclan a outras edificações históricas do centro — rotas de fuga para os coronéis que precisavam desaparecer discretamente em momentos comprometedores. Jorge Amado, que viveu e respirou a atmosfera de Ilhéus em seus anos de formação, imortalizou o Bataclan em Gabriela Cravo e Canela com a mesma ironia e afeto com que tratava todos os personagens e lugares da sua cidade. Com a crise da vassoura-de-bruxa que devastou os cacaueiros nos anos 1980 e derrubou a economia da região, o Bataclan entrou em declínio — mas resistiu. Nos anos 1990, foi restaurado com cuidado para preservar os traços originais do Art Déco, e hoje funciona como restaurante, bar e centro cultural, recebendo turistas com shows e apresentações que honram a memória de sua época áurea.

Mercado de Artesanato de Ilhéus — Um Labirinto de Cores, Sabores e Memórias da Bahia

Antes de retornar ao navio, o grupo fez uma última parada obrigatória: o Mercado de Artesanato de Ilhéus. Inaugurado em 2001 e reconhecido oficialmente como Patrimônio Cultural, Social e Turístico da Bahia pela Assembleia Legislativa estadual, o mercado é um labirinto encantador de mais de 80 barracas distribuídas em um espaço amplo, organizado e perfumado pela mistura de especiarias, óleos essenciais e madeiras nativas. Cada banca é um convite à descoberta: cerâmicas pintadas à mão em azul, branco e terracota; joias artesanais em sementes de cacau, ouriço e piaçava; tecidos bordados em renda de bilro feitos pelas habilidosas rendeiras da região; esculturas em madeira nativa retratando a fauna e a flora local; peças em casca de coco transformadas em bolsas, colares e porta-retratos; bonecas de pano vestidas com as cores do Nordeste; óleos e extratos naturais de cacau, cupuaçu e copaíba que a Bahia produz com maestria.

As mulheres percorreram cada corredor com a devida calma e curiosidade e os homens sentaram no bar e pediram cerveja. O mercado funciona de segunda a sexta das 8h às 18h, e aos domingos até as 13h — e quem visita Ilhéus sem passar por ele perde um dos capítulos mais ricos da viagem.

De Volta ao Navio — Gin Tônica, Cerveja, Whisky, Drinks, Piscina e o Pôr do Sol mais Bonito da Viagem

De volta ao MSC Armonia, os sapatos foram trocados por chinelos, as bolsas de compras guardadas na cabine, e o grupo migrou para o deck superior com uma única missão: uma boa bebida, piscina e muitas risadas.

A tarde bahiana ainda estava esplêndida quando mergulhamos — e a água, mais quente do que nos dias anteriores por conta da latitude mais baixa. Mas o momento mais memorável daquele fim de tarde aconteceu no 11.º andar, quando todos nos reunimos no corrimão do deck para contemplar o que só pode ser descrito como o pôr do sol mais bonito da viagem inteira: o sol laranja-avermelhado afundando lentamente no horizonte do Oceano Atlântico, tingindo o mar de dourado e o céu de púrpura, enquanto a brisa quente da Bahia suavizava o calor do fim do dia e o navio cortava as águas em direção ao sul. Ficamos ali, em silêncio coletivo, fotografando e guardando aquela imagem na memória para sempre.

Show “Generation Rock” — Teatro La Fenice, 19h30

O terceiro espetáculo do TransAtlético, Generation Rock, às 19h30 no Teatro La Fenice, era uma homenagem ao rock clássico que formou gerações inteiras — e foi, na opinião unânime do grupo, o show mais energético e emocionalmente carregado de todo o TransAtlético. O repertório foi uma viagem épica: Queen com “Bohemian Rhapsody” e “Don’t Stop Me Now”; The Rolling Stones com “Satisfaction”; The Beatles com “Let It Be”; AC/DC com “Highway to Hell”; Guns N’ Roses com “Sweet Child O’ Mine”. Cada música era recebida pela plateia com um nível crescente de histeria coletiva. O finale — com toda a companhia no palco e o público em pé cantando a plenos pulmões — foi um daqueles momentos de pura catarse coletiva que justificam cada centavo de qualquer viagem.

Silent Disco — Dançando em Silêncio (e em Barulho Total)

A experiência mais inusitada, mais divertida e mais comentada de todo o TransAtlético aconteceu naquele mesmo Dia 4: o Silent Disco. O conceito é simples na descrição e surreal na execução: cada participante recebe um fone de ouvido com três canais selecionáveis, cada canal transmitindo um gênero musical distinto — pop, eletrônico e sertanejo, por exemplo. Quem está de fora, sem o fone, observa um cenário absolutamente hilário e ao mesmo tempo fascinante: dezenas de pessoas dançando, cantando em voz alta e gesticulando animadamente — nem todas conseguem ficar em silêncio, só dançando. Cada grupo está ouvindo uma música diferente, então enquanto um canto dança frenético ao ritmo do eletrônico, no outro lado da pista alguém chora de emoção em um balada pop. Coutinho, Mara, Ribeiro, Dinha, Walberto, Mercês e Nós protagonizamos cenas de comédia involuntária que ainda hoje arrancam gargalhadas quando recontadas.

Depois como de costume fomos para a Disco onde finalizamos a nossa noite com muita dança e curtição sem falar da bebida claro. Ficamos novamente até depois das 2h00 da manhã.

Dia 5 — Sexta-feira, 13/03/2026  |  Dia de Navegação — O Mar Aberto e as Últimas Memórias

Acordar no Mar — O Prazer Absoluto da Navegação Plena

Às vezes, a melhor paisagem é a ausência de paisagem conhecida. Nenhum porto, nenhuma cidade ao fundo, nenhuma praia reconhecível — apenas o azul profundo e infinito do Oceano Atlântico em todas as direções, até onde a vista alcança. Acordar no quinto dia do TransAtlético foi assim: abrir os olhos, olhar pela janela da cabine e ver apenas mar. Aquele silêncio úmido e ritmado pelo balançar suave do navio. Aquela sensação de estar no meio do nada — e ao mesmo tempo, no melhor lugar possível. O café da manhã no Brasserie foi demorado e prazeroso, como deve ser todo café da manhã no último dia completo a bordo.

MSC Voyagers Club Show — 11h00

Às 11h00, um evento especial aguardava os membros do programa de fidelidade MSC Voyagers Club: uma recepção exclusiva com a equipe do navio, brindes, reconhecimento dos passageiros mais leais à companhia e uma série de anúncios sobre benefícios futuros. Paula, coordenadora da MSC, conduziu o evento com a elegância e o profissionalismo de sempre. Aproveitamos para estreitar ainda mais os laços com a MSC.

Almoço no Brasserie e Tarde no Cassino

O almoço de sexta no Brasserie  foi um banquete de despedida: todos comeram com aquela generosidade afetiva de quem sabe que está aproveitando os últimos momentos de uma rotina que adorou. A tarde foi passada no cassino do navio — uma área elegante e animada, com roletas, mesas de pôquer, caça-níqueis e blackjack. O grupo se aventurou com as apostas na cautela de quem não veio para perder dinheiro de verdade, mas veio para sentir a emoção: a bolinha girando, o suspense antes do resultado.

O cassino do Armonia não deixou ninguém milionário — mas entreteu a todos com competência.

Nossa tarde foi curtindo a piscina e aproveitando para beber mais alguns drinks.

Aproveitamos para tirar mais algumas fotos no navio.

Show “Live from MSC Armonia” — 19h00

O quarto e último grande show do TransAtlético, Live from MSC Armonia, às 19h00, foi uma celebração que fechou com chave de ouro os quatro dias de entretenimento de altíssimo nível. O espetáculo é uma mistura de todos os gêneros musicais apresentados ao longo da semana — pop internacional, rock clássico, samba, axé, música latina — executados ao vivo com uma energia que crescia a cada número. Era como se o navio inteiro estivesse se despedindo dos seus passageiros através da música, agradecendo pela companhia e prometendo que aquelas memórias durariam para sempre. O grupo do TransAtlético, reunido nas primeiras filas do Teatro La Fenice, cantou junto desde o primeiro até o último acorde. Ao final, todos de pé — uma ovação calorosa que vinha do coração.

Bar Red com Glauco — Drinks, Histórias e a Arte da Conversa Noturna

Com o show na memória e o coração ainda aquecido, o grupo seguiu para o intimista e elegante Bar Red, onde o habilidoso cantor Glauco com Rock Pop Brasileiro, música deliciosa.

O Bar Red, com sua iluminação baixa e avermelhada, suas poltronas confortáveis e sua atmosfera de clube privê, era o cenário perfeito para aquela noite de dança e muita diversão. Também com momentos para as histórias que se multiplicaram: memórias da viagem, planos para o futuro, declarações de amizade que só o fim de uma grande aventura consegue arrancar com sinceridade total.

Último Jantar no Marco Polo — A Noite da Despedida Inesquecível

O último jantar no Restaurante Marco Polo foi um daqueles momentos que, enquanto acontecem, já se sabe que serão lembrados para sempre. A mesa estava montada com um cuidado especial para a noite Italiana, e o impecável Suryanto R. Agus aguardando o grupo com um sorriso que parecia maior do que de costume. Ao longo de toda a semana, Suryanto tinha sido muito mais do que um garçom — tinha sido um anfitrião, um cúmplice, alguém que lembrava as preferências de cada um, que sugeria pratos com genuíno entusiasmo e que transformava cada refeição em uma experiência. Naquela última noite, o grupo prestou uma homenagem pública a ele: aplausos, abraços, fotos e um brinde especial dedicado a todos os tripulantes que tinham feito aquela viagem ser ainda mais especial.

Nesta noite teve uma comemoração entre os hóspedes e toda a tripulação do restaurante com muita dança e alegria.

Após o jantar mais um drink lá na piscina para ver o movimento.

Festa de Encerramento — Starlight Até de Madrugada

A última festa na Discoteca Starlight tinha um sabor agridoce inconfundível — aquele misto de felicidade plena pela viagem que aconteceu e de tristeza legítima pelo fim que se aproximava. A pista estava cheia, o DJ lia o clima da noite com perfeição, e cada música parecia ter sido escolhida especialmente para aquela despedida. 

Nesta noite os homens já estava um pouco cansados, mas as mulheres não deixaram de dançar bastante. Só mais no final eles deram ar da graça dançando conosco.

Com tudo, sem reservas, com a alegria de quem viveu algo extraordinário e sabe que está gravando no coração cada segundo que resta. No final saímos com alegria daquela viagem deliciosa com amigos queridos “Mas que viagem, meu Deus. Que viagem.”

Dia 6 — Sábado, 14/03/2026  |  Desembarque no Rio de Janeiro

Café da Manhã Final e Preparativos para o Desembarque

O último café da manhã no Brasserie foi mais silencioso e reflexivo. As malas já tinham sido colocadas no corredor na véspera, conforme as instruções de desembarque — um gesto que tinha um peso simbólico imenso: a confirmação de que a viagem tinha chegado ao seu fim. Comemos com calma, como quem saboreia os últimos momentos de um livro maravilhoso antes de fechar a capa. Café preto forte, frutas, pão com manteiga — os mesmos ingredientes de sempre, mas com um sabor diferente naquela manhã. O sabor da despedida que vale tudo.

Desembarque e Despedida — Até a Próxima, MSC Armonia!

Já em terra, no cais do Rio de Janeiro, o grupo virou para trás e olhou para o navio branco e imponente que por quatro dias tinha sido nosso universo. Foram dias de mar, amizade, música, dança, gastronomia, histórias e muitas risadas.

TransAtlético nasceu atleticano, mas pertenceu a todos: a nós dois, Fernando e Valdete, que carregamos o Galo no coração há décadas — e a Coutinho, Mara, Ribeiro, Dinha, Walberto, Mercês, Diógenes e Verônica, que aceitaram o nome com a leveza e a generosidade de quem sabe que amizade verdadeira supera qualquer rivalidade de arquibancada. Que viagem, meus amigos. Que viagem.

“Viagens não acabam quando voltamos para casa. Elas continuam dentro da gente, nas memórias que guardamos, nas histórias que contamos e nas amizades que se fortalecem a cada aventura.”

VAI, GALO! 🐓   SEMPRE ATLÉTICO!

TransAtlético MSC Armonia — Março de 2026

Fernando e Valdete Blog  ·  Todos os direitos reservados

Deixe um comentário

search previous next tag category expand menu location phone mail time cart zoom edit close